Boto prevê 2026 mais difícil e compara pressão: "O Palmeiras não tem a grandeza do Flamengo"
- Bolin Divulgações

- 22 de dez. de 2025
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Diretor de futebol explica diferença do uso da base nos clubes, cita possível venda de João Victor e mira negociações fora do continente: "Mercado sul-americano é pequeno para a realidade do Fla".

Depois de viver uma temporada vitoriosa, o Flamengo projeta um 2026 mais complicado do que foi 2025. Foi o que disse o diretor de futebol do clube, José Boto, em entrevista ao podcast "No Princípio Era a Bola" do jornal Tribuna Expresso, de Portugal. O dirigente afirmou que o Brasileirão seguirá sendo tratado como prioridade.
— Acho que a temporada vai ser mais difícil porque não é fácil repetirmos o que fizemos. Conhecendo eu, a imprensa e a torcida, eles vão exigir o mesmo e mais ainda, mesmo que não exista mais para ganhar. É bom porque o presidente tem a noção, nós vamos entrar para ganhar, mas não são todos os anos que se repete isso. Existem as duas competições que são fundamentais para nós, o Brasileirão e a Libertadores. Sabendo que a Libertadores, como toda competição eliminatória, é mais difícil de prever, por isso nosso objetivo sempre é sermos campeões do Brasileirão — avaliou.
— A grande preocupação que tenho é a quantidade de férias que os jogadores vão ter para que eles limpem a cabeça. Temos tudo planejado para que o elenco seja melhor. Nunca existe um plantel perfeito, há sempre coisas a ajustar, mesmo quando achamos que está ótimo. Temos tudo isso planejado, mas não vai ser fácil repetir uma temporada como essa. (Elenco) É importante nós irmos ao longo deste percurso vendo que tipo de rendimento alguns jogadores são capazes de dar ou não, e irmos ajustando com calma, sem grandes revoluções. Porque há essa parte emocional que tem um peso enorme no Brasil e não tem tanto aqui na Europa — completou.
Boto também falou sobre a utilização das categorias de base pelo Fla. O dirigente comparou à situação do Palmeiras e relembrou o caso de João Victor neste ano. O zagueiro ficou no banco durante toda a temporada, mas foi pouco utilizado. Diante dos desfalques, Filipe Luís escalou o jovem, que não foi bem.
— (conforto para a base errar quando subir) Nisso o Palmeiras está mais à frente. Não em termos melhores jogadores na formação, é na transição que faz para o nível profissional. Nós vamos tentar caminhar nesse sentido. Uma das coisas que fizemos foi com o Alfredo (Almeida), para ter ligação direta conosco. Sabendo que são contextos completamente diferentes. O Palmeiras, apesar da grandeza que tem, não tem a grandeza do Flamengo. Vou dar um exemplo: nós tivemos que fazer dois jogos com um sub-17 (João Victor) de defesa central, que não esteve mal, mas teve ali um deslize que mataram. Vai ser um zagueiro top, de Europa, em cinco, seis anos. Mas ali mataram, vai ser muito difícil voltar a jogar ali com o nível de confiança que um menino daquela idade precisa — afirmou.
— Nós temos que levar isso em conta, e se calhar perceber o mais correto não é ir buscar outro defesa central, porque aquele tem um potencial enorme. Mas se calhar o mais correto naquele contexto é irmos comprar outro central e vendê-lo, deixando uma porcentagem grande para nós deste jogador. A pressão no Palmeiras é diferente do Flamengo. Não estamos a falar de o jogador não estar pronto para jogar. Estamos a falar de irem à rede social do miúdo, da mãe, darem cabo dele, dizerem que fez de propósito. Coisas completamente loucas que não estamos habituados na Europa — concluiu.
O Flamengo está no mercado em busca de reforços e tem a intenção de focar mais em nomes que estão no futebol brasileiro. No entanto, Boto acredita que o clube precisa buscar cada vez mais jogadores que atuam na Europa.
— Claramente, o mercado sul-americano é neste momento pequeno para aquilo que é a realidade do Flamengo e a cultura do Flamengo. Não quer dizer que não haja no Brasil, na Argentina, no Equador, jogadores com muito potencial. Mas no Flamengo tem que trazer jogadores prontos para jogar, pela pressão que é. Isso é outra coisa que influencia muito: se não lidas bem com pressão, com Maracanã cheio, uma imprensa agressiva todos os dias...
E é óbvio que jogadores com mais bagagem, mais experiência, suportam isso melhor do que outros. Além dessa ideia, há também uma ideia de trazer uma cultura mais europeia para dentro do clube. E tendo essas referências que temos hoje, Danilo, Jorginho, Alex Sandro, que são referências da forma como encaram a profissão, acaba por influenciar todos os outros. Essa é uma das ideias que tivemos e que fez parte do padrão de contratações. Não eram só jogadores que precisávamos em termos técnicos ou táticos, mas também a nível de mentalidade que trouxessem um plus ao clube.

